
Em seu primeiro levantamento sobre a colheita de soja, que ainda está no início, a consultoria AgRural traz um cenário de normalidade, com tendência de uma safra maior que o inicialmente previsto em Mato Grosso, principal Estado produtor do País.
No atual estágio da colheita da safra 2025/26, a principal peculiaridade é uma espécie de ilusão de ótica: a colheita parece atrasada, como algumas publicações em redes sociais têm alarmado, mas só parece.
“Existia uma expectativa de que a colheita estivesse mais acelerada, porque o plantio foi antecipado em 2025. Mas isso não está acontecendo porque durante parte da safra o tempo foi mais chuvoso e nublado que o esperado. E isso alonga o ciclo, as plantas demoram mais para ficarem prontas. Então, está tudo dentro do esperado”, resumiu Daniele Siqueira, analista de grãos da AgRural.
Neste momento, a colheita está concentrada no Mato Grosso e no Paraná, como costuma acontecer. Em ambas as praças, a produtividade tem vindo “em linha com o esperado”.
Dentro do Mato Grosso, Siqueira detalha que a colheita — neste ano e historicamente — “começa nas regiões Médio-Norte e Oeste, com alguma coisinha na região Leste”. Essas são as áreas que plantam mais cedo e, consequentemente, colhem antes.
“Já no Sul do Mato Grosso, até poderia ter alguma colheita, mas como eles plantaram um pouco mais tarde, porque as chuvas demoraram mais a alinhar, então ainda não têm soja pronta. Mas, mais uma vez, nada fora do esperado”, repetiu.
Segundo Siqueira, o Mato Grosso tem tudo para ter uma “safra cheia” neste ano, embalando o resultado do País, mas é preciso acompanhar as condições climáticas.
Em seu levantamento mais recente, em dezembro, a AgRural estimou a safra 2025/26 no Estado em 48,7 milhões de toneladas, 5% abaixo dos 51,3 milhões de toneladas em 2024/25.
“Nas áreas mais antecipadas, já dá para dizer que a safra está vindo boa. Mas de modo geral, a produtividade na próxima safra no País ainda está em aberto, porque tem regiões que ainda precisam de clima favorável.”
As áreas de plantio tardio vão demandar muita chuva em janeiro, “o que não deve ser um problema, pois costuma chover bem nesse mês na região, e provavelmente teremos uma safra cheia no Estado”, segundo Siqueira.
Nesse cenário, o número de Mato Grosso provavelmente será revisto para cima pela consultoria no fim do mês. “Avaliaremos o impacto do clima de meados de dezembro para cá. Mas, tirando problemas pontuais, o clima na atual safra não foi ruim, longe disso. É que a produtividade da safra passada foi realmente fora da curva”.
Já em outros estados, como o Paraná, a produtividade geral vai depender muito do clima ao longo de janeiro e fevereiro.
“E tem as regiões do País ainda mais tardias, como Norte, Nordeste e Rio Grande do Sul. Essas vão precisar de um nível muito bom de chuvas em fevereiro para terem boa produtividade.”
No Brasil, a AgRural projeta 180,4 milhões de toneladas, 1,6% acima da projeção da Conab, de 177,6 milhões de toneladas. Se concretizada, a previsão da consultoria representaria um aumento de 5,2% frente à safra 2024/25, que totalizou 171,5 milhões de sacas, também segundo a Conab.