Raiz do Negócio

“A safrinha foi a virada. Agora, as margens vão melhorar”

Em entrevista ao Raiz do Negócio, Paulo Mesquita, sócio da Riza, analisa os episódios de inadimplência na agricultura e a recuperação das margens

A safrinha recorde de milho marca uma virada no agronegócio, deixando para trás o ciclo adverso enfrentado pelos produtores de grãos nos últimos dois anos. Agora, as perspectivas apontam para margens melhores.

Essa é a visão de Paulo Mesquita, sócio da Riza e responsável pela gestão do Terrax — o maior fundo listado de terras do País, com mais de R$ 1,8 bilhão em patrimônio líquido e 90 mil hectares de fazendas no portfólio.

“Até o meio do ano, ainda estava vendo um nível de inadimplência um pouco maior. Do meio do ano para cá, temos visto que a coisa se acomodou”, disse Mesquita em entrevista ao Raiz do Negócio, videocast realizado por uma parceria entre The AgriBiz e InfoMoney.

Com cuidado na gestão de risco, usando mecanismos como a trave de preços no mercado futuro, os produtores de soja podem obter boas margens na safra 2025/26, que começa a ser plantada em setembro. “Você consegue fixar soja a R$ 120 por saca em Tocantins, o que dá uma margem de 30% ao ano”, calculou o gestor.

Para o sócio da Riza, os problemas de inadimplência na cadeia de grãos foram pequenos, apesar do barulho que se fez. “A maioria do agro brasileiro está bastante tranquila”, ressaltou Mesquita, citando o caso de um cliente capitalizado que acabou de aquirir uma fazenda por R$ 1 bilhão.


Mesmo em casos mais críticos, como a piora da carteira de crédito rural do Banco do Brasil, o sócio da Riza trouxe um ângulo diferente. Antes de ser um problema generalizado no agronegócio, o aumento da inadimplência do principal financiador agrícola do País pode ter sido um problema auto infligido.

“O Banco do Brasil teve uma postura que eu nunca tinha visto. Tenho cliente que se relacionam com o banco há quarenta anos, nunca teve inadimplência, mas chegou em julho e não tinha limite. Para mim, é uma estratégia suicida do Banco do Brasil”, criticou Mesquita.

Ao secar o crédito para a agricultura, um movimento que também foi visto em outros bancos (algo também explicado pela restrição de crédito às revendas), o aumento da inadimplência se tornou inevitável. “Os próprios entes do setor, na minha visão, fizeram com que a inadimplência subisse além da conta”, avaliou.

No caso do Banco do Brasil, há um agravante. Como trabalha com garantias mais frágeis, como penhor de safra e hipotecas, o banco fica ainda mais exposto aos pedidos de recuperação judicial, lembrou o gestor.

Confira a entrevista completa de Paulo Mesquista aqui.