Posto de combustíveis; etanol deve subir
Posto de combustíveis; etanol deve subir | Crédito: Schutterstock

Ao mesmo tempo em que lidam com preços do açúcar na bacia das almas, as usinas têm tudo para enfrentar, em 2026, uma perspectiva de preços pouco animadores também no etanol. As estimativas apontam para um recuo de até 10%.

O aperto entre oferta e demanda, que puxou os preços para cima em 2025, ficou para trás. A “sobra” de etanol deve vir tanto do aumento de produtividade nos canaviais — com a expectativa de um clima mais benigno — quanto de um mix mais alcooleiro, passando de 49% para 54%. Isso sem falar no aumento de 17% em capacidade de etanol de milho, injetando mais biocombustível no mercado.

Além de tudo isso, 2026 deve apresentar, ainda, uma redução nos preços da gasolina, principalmente em se tratando de um ano eleitoral. No diagnóstico das analistas Julia Rizzo e Julia Habermann, do Morgan Stanley, a queda nos preços do combustível deve ser de 9%, considerando que a gasolina no Brasil hoje está mais alta em relação aos benchmarks internacionais.

Para o etanol, as analistas estimam que uma queda de 10% na comparação com o último ano, com uma paridade em relação à gasolina passando de 69%, em 2025, para 67,7% em 2026.

A consultoria Datagro deu um passo adiante. Nas estimativas dos analistas, a paridade deve ser de 64,9% em 2026/27 no estado de São Paulo, ante uma média de 68% em 25/26 e de 65,9% em 2024/25.

“A última vez em que a paridade de preços esteve tão baixa ocorreu na safra 23/24, marcada pelo recorde de moagem de 654 milhões de toneladas”, escreve a consultoria.

No raciocínio da Datagro, diferentemente de 23/24, quando o consumidor demorou a reagir à paridade favorável ao etanol, fruto da distorção provocada pela isenção dos impostos entre 2022 e 2023, a expectativa é que o consumo siga aquecido em 2026/27.

“A proporção da frota de veículos flex-fuel abastecida com etanol hidratado pode voltar a superar a marca de 30% ao longo da próxima temporada”, completa.

A hora é agora

Diante das perspectivas pouco animadoras para o ano, usinas estão aproveitando a janela de entressafra para desovar os estoques do biocombustível.

“Os preços atuais são muito bons. O que está no estoque de passagem deve ser vendido no quarto trimestre [da safra]. Vamos começar a safra em abril, alcooleira, e vamos vender ao longo do ano, dependendo do preço, de olho em uma paridade de 68% a 70%”, afirmou Felipe Vicchiato, CFO da São Martinho, em call com analistas na tarde desta terça-feira. No caso do cçúcar, o executivo estimou que o setor tenha 30% da produção hedgeada.

Os bons preços para o etanol estão ligados aos estoques mais enxutos no final de março. Estimativas da Datagro mostram que o preço do etanol hidratado atingiu R$ 3,16 por litro, sem impostos, uma alta de 7,9% na comparação anual.

A expectativa da consultoria é que os preços sigam firmes nas refinarias ao longo de todo o mês de fevereiro, mantendo o patamar atual. À medida que a safra começa, os preços devem tombar: a projeção é de R$ 2,52 por litro para o biocombustível, em maio, permanecendo em torno desse patamar até novembro.