
O preço do arroz ainda é uma lástima para produtores e beneficiadores, mas a Camil parece estar entrando em um ciclo de recuperação que pode se refletir na valorização das ações da companhia controlada pela família Quartiero.
Em um relatório enviado nesta sexta-feira a clientes, os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual, trouxeram uma prévia dos resultados trimestrais que a Camil divulga na semana que vem.
No próximo dia 14, a Camil divulga os resultados de seu terceiro trimestre fiscal, que se encerrou em novembro. (Curiosidade: o ano fiscal da Camil acompanha a safra de arroz).
“Depois de uma série de resultados negativos, o segundo trimestre da Camil mostrou sinais de recuperação, o que nós acreditamos que deve continuar no terceiro trimestre”, escreveram os analistas.
Não à toa, o BTG não só reiterou a recomendação de compra para ações da Camil como revisou para cima o preço-alvo (R$ 8 para R$ 10), o que embute um potencial de valorização de quase 80% sobre as atuações cotações.
Segundo eles, excluindo as exportações não recorrentes de açúcar, os resultados trimestrais da Camil devem mostrar expansão de volumes em todos os segmentos de atuação da companhia.
Os analistas projetam um aumento de dois dígitos na linha de alto giro (que inclui arroz, feijão e açúcar), somando 328 mil toneladas.
Caso isso realmente se confirme, a receita trimestral no Brasil deve ser de R$ 1,95 bilhão (queda de 11% ano a ano), com um Ebitda de R$ 165 milhões e margem de 8,4%.
“Ainda é um resultado ligeiramente abaixo do que a companhia fez no segundo trimestre, mas representa uma expansão de 430 pontos-base em margem”, pontuaram os analistas.
De forma consolidada, o banco espera receita de R$ 2,7 bilhões para a companhia, queda de 12% ano a ano, mas com um Ebitda 26% maior, de R$ 226 milhões, além de ganhos em margem.
O peso negativo do arroz
O grande ponto negativo para a companhia segue sendo o preço do arroz, ainda em patamares bastante desafiadores.
O cereal acumula queda de 46% em 2025 e, mais do que isso, já chegou ao ponto de trazer margem negativa para o produtor: o preço spot está em R$ 53 por bag, ante um custo de R$ 54 no Rio Grande do Sul (responsável por 70% da produção nacional).
Nesse cenário, alguns ajustes de oferta já são observados. “A área plantada para a safra 2025/26 deve cair 5,6% no Brasil, com a produção caindo 10%. Se os preços ficarem no patamar em que estão, mais reduções de área devem vir”, escrevem os analistas.
Essa perspectiva de que a tendência à frente é mais de alta do que de baixa para os preços do arroz reforça a perspectiva otimista dos analistas em relação à Camil, somada ao valuation considerado atrativo, de 6 vezes Preço/Lucro em 2026.
Além disso, a trajetória da Selic pode ajudar (finalmente). “Como uma empresa alavancada, que deve fechar o ano fiscal com uma relação entre dívida líquida e Ebitda de 3,1 vezes, ela está posicionada para se beneficiar do ciclo de corte de juros”, lembram os analistas.
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Nesta sexta-feira, as ações da Camil (CAML3) sobem 4%na B3, enquanto o Ibovespa sobe 0,76%. A companhia da família Quartiero está avaliada em R$ 1,8 bilhão.