O CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, assina acordo para criação de joint venture com fundo soberano de Omã | Crédito: Divulgação

A JBS acaba de dar um passo relevante na conquista do mercado halal, um dos mais promissores do mundo para a indústria de carnes. A companhia tornou-se sócia da Oman Food Capital, braço de investimentos em alimentos da Oman Investment Authority, num projeto multiproteínas localizado no país árabe.

A maior produtora de carnes do mundo investiu US$ 150 milhões para comprar 80% de uma holding recém-criada com o fundo de Omã, que ficará com os 20% restantes.

A JV nasce com dois ativos de grande porte: uma planta de aves com capacidade de processamento de 600 mil aves por dia e uma unidade de abate de bovinos com capacidade de abate de mil cabeças por dia, a maior da região. Nesta mesma unidade, serão processados cinco mil cordeiros diariamente.

O movimento reforça a estratégia de diversificação geográfica da JBS e tem um papel relevante na disputa pelo mercado halal, que tem mais de 2 bilhões de consumidores e taxas de crescimento populacional acima da média mundial.

A joint-venture com o fundo soberano de Omã também esquenta a disputa com a MBRF, que mantém uma joint-venture com o PIF, fundo soberano da Arábia Saudita, e também vem fazendo investimentos pesados para atender localmente o mercado halal.

Com as metas de autossuficiência na produção de alimentos impostas pelos governos locais, como a Arábia Saudita e Omã, produzir localmente tornou-se mandatório para as empresas que querem ter relevância no Oriente Médio.

“Vemos o trade sendo impactado por movimentos geopolíticos. Os países estão procurando segurança alimentar e autossuficiência, principalmente pós-Covid. Para ser competitivo, tem que ter produção local”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, a jornalistas neste domingo.

No mês passado, a JBS firmou uma parceria com a Arabian Company for Agricultural and Industrial Investment (ENTAJ) para produzir frango em Jeddah, na Arábia Saudita, com a marca Seara. A companhia já possui duas fábricas de alimentos processados no país e, após essa parceria, ampliará a de Jeddah, totalizando um investimento de US$ 85 milhões na Arábia Saudita.

O investimento de hoje, no entanto, é o maior já realizado pela empresa dos irmãos Batista na região e o primeiro que contempla o estágio inicial da cadeia de produção.

Os fornecedores

A planta de aves, localizada na região de Ibri, norte de Omã (e a 280 quilômetros ao sul de Dubai), deve ser inaugurada em cerca de 12 meses. Essa operação receberá a maior parte dos investimentos, pois ainda não está concluída. Uma fábrica de ração também será construída próxima ao frigorífico.

Já a unidade de bovinos, que fica em Thumrait, no sul do país, está fechada há cerca de um ano. Ela deve passar por algumas modificações, mas o início das operações será mais rápido, em aproximadamente seis meses. Para garantir a matéria-prima, a equipe de originação da JBS viajou a vários países nas proximidades para identificar possíveis fornecedores.

Segundo Tomazoni, alguns países africanos, na região da Etiópia, já têm condições para abastecer a planta nesta primeira fase. O frigorífico está localizado quase na fronteira com a África, e alguns países do continente já exportam carne bovina para países do Oriente Médio.

“Tem fornecedor, mas vamos desenvolver uma cadeia de suprimentos na África de forma sistemática. Os abatedouros que existem são de menor porte. O que é diferente é que estamos fazendo isso em escala”, disse Tomazoni. Uma planta com capacidade de abate de mil cabeças por dia, como a de Thumrait, equivale a uma planta de médio porte no Brasil, observou.

“Os nossos investimentos não param por aqui. Decidimos construir uma plataforma de produção muito competitiva na região”, disse Tomazoni. Quem conhece a companhia de longa data tem certeza disso.