Cooperativas avançam sobre os escombros das revendas agrícolas

O vácuo aberto pela crise que abalou as principais revendas agrícolas do País começa a ser ocupado por cooperativas, em um movimento que mostra a fortaleza de um modelo de atuação diversificado, com verticalização industrial e acesso aos produtores rurais.

No Paraná, duas transações exemplificam essa dinâmica. Na última sexta-feira, a cooperativa LAR anunciou o arrendamento de cinco lojas de insumos agrícolas na porção noroeste do Estado. As unidades ficam nas cidades de Atalaia, Ivatuba, São Jorge do Ivaí, Jussara e Japurá.

As lojas em questão eram operadas até pouco tempo pela Agrogalaxy, rede de revendas controlada pelo Aqua Capital. Em meio aos problemas financeiros, a companhia fechou as lojas em janeiro.

Como os imóveis estavam alugados, os proprietários reassumiram as plantas e arrendaram os ativos para outro locatário: a LAR. As lojas, aliás, remontam à fase de expansão da Agrogalaxy. Os pontos de venda passaram a fazer parte da rede do Aqua Capital em 2021, quando a Ferrari Zagatto foi adquirida. Os imóveis, no entanto, continuaram com os fundadores.

Em comunicado distribuído em 30 de janeiro, a LAR informou que ainda está fazendo os trâmites necessários para assumir os pontos de venda. Trata-se essencialmente de burocracia de documentações, licenças e sistemas, praxe nessas transações.

“Em breve, serão divulgadas informações adicionais aos clientes e fornecedores, em consonância com o propósito da Cooperativa de cooperar para melhorar a vida das pessoas”, escreveu a LAR.

O movimento da LAR não é único. Na semana passada, a Coamo também avançou sobre espaços antes ocupados pelas redes de revenda.

Conforme The AgriBiz já informou, a cooperativa de Campo Mourão comprou quatro armazéns de grãos, por R$ 136 milhões. Os armazéns pertenciam a um fundo imobiliário do Pátria, mas eram operados pela Belagrícola, rede de revendas que está em recuperação extrajudicial.

Com o movimento, a cooperativa de Campo Mourão expandiu o raio de atuação para o Norte Pioneiro, criando um desafio para outra potência do cooperativismo: a Cocamar, que já possuía uma atuação mais ampla na região e, em tese, também poderia ter disputado os ativos do Pátria.