Fundadores da Zera: Octaciano Neto, Amanda Coura e Francisco Jardim, da SP Ventures
Os fundadores da Zera.Ag Octaciano Neto, Amanda Coura e Francisco Jardim, fundador da SP Ventures | Crédito: Divulgação

O pé no barro para originar crédito no campo deu certo na Zera.Ag, a firma de Octaciano Neto, Amanda Coura e SP Ventures. Em pouco mais de um ano, a Zera originou R$ 1,2 bilhão em operações — combinando a expertise em crédito estruturado de seus fundadores ao bom trânsito no setor público.

Nesses doze meses, saíram do papel operações para players conhecidos do agronegócio brasileiro, como a Seara, C. Vale, GT Foods, Pluma, Agroforte e Primato. Foram principalmente FIDCs, que contaram com recursos do governo do Paraná.

O dinheiro chegou às estruturas de financiamento por meio do Fiagro inaugurado pelo governo paranaense, num modelo que mistura dinheiro público e privado (blended finance, no jargão) para financiar empresas em meio ao período de crédito escasso e de Selic nas alturas.

“Não existia, até então, esse produto que mistura dinheiro público e privado. A gente concentrou a atuação nesse fundo no ano passado porque era uma baita oportunidade”, explica Octaciano Neto, co-fundador da Zera, ao The AgriBiz.

Neste início de ano, a firma já tem mandato para estruturar outros dois FIDCs: um para uma cooperativa e outro de uma trading, ambos no setor de café. Somados, os fundos devem somar R$ 300 milhões em recursos. A estratégia, no entanto, deve ser diferente da adotada no ano passado.

A Zera quer diversificar as frentes de atuação — e o passivo. O plano dos fundadores é construir ao longo do primeiro semestre uma gestora de recursos para abarcar esses FIDCs. Até aqui, a casa trabalhou em parceria com a XP e com a Suno para os fundos do governo do Paraná.

A ideia é continuar se valendo do relacionamento com outros players do mercado financeiro ligados ao agro, mas conseguindo abocanhar uma fatia maior da receita das operações estruturadas com o fee de gestão.

Não foi uma ideia ao acaso — mas veio, justamente, do relacionamento da casa com diferentes gestoras e investidores institucionais.

“As próprias gestoras, muitas vezes, têm conflitos de investir em fundos delas mesmas. Daí veio o incentivo para nós abrirmos uma e nos tornarmos uma solução para essa estrutura”, conta Neto.

O racional também atende a um apetite maior do mercado por estruturas de FIDCs com subordinação — um ponto já presente na estratégia de casas como a XP Investimentos e a Itaú Asset, por exemplo.

No caso da Zera, o plano é manter essa estrutura, fazendo operações para revendas, tradings e indústria. O foco é ter uma baixa concentração de risco por sacado, chegando a no máximo 3% por devedor em cada fundo.

“A abertura da gestora é quase uma resposta natural ao que a gente vem fazendo em termos de produto. Os FIDCs mitigam risco ao investidor, mas são fundos que demandam um acompanhamento próximo, trabalho de continuidade. Queremos ocupar esse espaço para gerar valor ao cliente e ao investidor”, afirma Coura.