XP capta R$ 152 milhões em novo Fiagro

Em um período de captações mirradas para os Fiagros, a XP Asset conseguiu começar o ano captando dinheiro para um fundo de crédito. A gestora levantou R$ 152 milhões para um novo produto, o XP Agro Renda.

É menos do que a casa esperava, mas a operação pode ser considerada um trunfo em um período ainda sorumbático. No prospecto, a asset almejava uma captação de R$ 297,5 milhões para a cota sênior (que captou quase R$ 130 milhões, principalmente com pessoas físicas).

“Ainda é um momento delicado. Mas, na nossa visão, foi um sucesso. Podemos pensar em futuras captações, à medida que o pessoal fique mais familiarizado com a estrutura. Um formato que tem chamado a atenção do investidor são fundos prefixados”, disse Gustavo Gomes, gestor de agro da XP Asset, ao The AgriBiz.

Esse apetite (e tipo de estrutura) vem principalmente dos fundos imobiliários, segundo o gestor. A XP até cogitou adotar uma estrutura desse tipo, mas, como os Fiagros estão sujeitos ao regime de competência — e não de caixa, como os FIIs — o risco não compensou. A cota sênior do novo fundo tem uma rentabilidade-alvo de CDI+2,5%.

Para atrair o investidor, um chamariz de dupla proteção. Ao mesmo tempo que a gestora absorve toda a subordinação do veículo (de 15%), o fundo se compromete a investir a maior parte do dinheiro em estruturas com algum tipo de proteção — notadamente, cotas seniores de outros FIDCs.

O mandato do fundo é investir pelo menos 60% do patrimônio líquido em estruturas com algum tipo de subordinação, liberando os 40% restantes para serem alocados em estruturas que não necessariamente contem com esse recurso.

O foco, mesmo para os recursos sem proteção, é ficar em um risco moderado com operações bilaterais em estruturas como CRAs e CPRs, segundo o gestor.

No prospecto, o fundo tem um limite de exposição por devedor em no máximo 10% do patrimônio líquido que for investido em CRAs e de 10% do patrimônio líquido que for investido em FIDCs.

“Nós já investimos nesse perfil de fundo desde o nascimento do agro na XP Asset e o que vimos é que, mesmo com problemas de crédito no setor, de maneira geral a cota sênior não foi machucada em nenhum momento”, destaca Gomes.

O fundo, que já nasce totalmente alocado, tem operações que remuneram a CDI+4% ao ano, numa duration de dois anos, em média.

“Sempre tem espaço para emprestar mais porque a carteira gira e as amortizações vão acontecendo. Não só nesse fundo, mas no XPCA e no XPAG”, lembra o gestor, citando os demais Fiagros da casa.

Não há uma preferência por setor, afirma o gestor. “Não deixei de analisar usina porque o preço do açúcar piorou, nem deixei de analisar produtor. Na nossa cabeça, sempre existem histórias boas. Continuamos olhando tudo”, diz Gomes.

Ainda assim, o gestor admite que a vertical de agro da asset tem se afastado — assim como outras casas — de estruturas corporativas de concessão de crédito (em vez de pulverizadas), além de olhar com mais cuidado para revendas e para o setor de insumos.

“Nossa carteira [no XPCA e XPAG] talvez tenha descido do CDI+5% para o CDI+3%”, aponta Gomes.

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A XP tem R$ 2,4 bilhões em ativos sob gestão na área de agronegócio.