Basf

Enquanto a escassez de crédito é o calcanhar de Aquiles de produtores rurais e fornecedores de insumos, a Basf conseguiu provar o valor da marca (mais uma vez). Em uma oferta coordenada pelo Itaú BBA, a gigante alemã levantou R$ 1,4 bilhão para financiar a cadeia de clientes.

A captação marca a quarta emissão do fundo de direitos creditórios (um Fiagro FIDC) estruturado pela securitizadora Opea para a Basf. Com o veículo, a companhia consegue irrigar a cadeia com um modelo de financiamento que tira o risco de seu próprio balanço.

Inicialmente, a estrutura desenhada pela Opea para a companhia alemã tinha R$ 420 milhões. De lá para cá, o veículo multiplicou de tamanho, passando de R$ 1 bilhão.

Nesta emissão recém-encerrada, a maior parte do dinheiro entrou na sênior (R$ 1 bilhão), com R$ 343 milhões na cota mezanino, e outros R$ 7 milhões na subordinada — subscrita pela própria Opea com o taxa de remuneração que recebeu da Basf.

Para montar o fundo, a Basf cede recebíveis da cadeia de distribuição de insumos, incluindo revendas e cooperativas, além de produtores rurais que são clientes diretos da companhia.

“Temos visto cada vez mais empresas de insumos buscando ferramentas como essas para se financiar”, disse Renato Frascino, head de agronegócio da Opea, em entrevista ao The AgriBiz.

A necessidade de crédito se explica pelo momento mais adverso para os players ligados à cadeia de grãos, que sofrem com um aumento da inadimplência que atinge desde as principais instituições financeiras, com o Banco do Brasil, até fornecedores de insumos.

No fundo da Basf, a inadimplência também aumentou, mas em nível ainda controlado, abaixo da subordinação do fundo, protegendo os investidores das perdas.

Ao fim de abril do ano passado, um período chave para o pagamento das faturas de insumos relacionados à safra de soja, os recebíveis vencidos há mais de 360 dias no fundo da Basf equivaliam a 4%, acima de 3% do ano anterior. A partir de maio, teremos um comportamento mais claro da inadimplência da atual safra, que está em fase de colheita.

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Além da Basf, a Opea estrutura veículos dedicados a outras companhias do agronegócio. Atualmente, são R$ 4,3 bilhões em ativos sob gestão, distribuídos em cerca de 20 fundos montados para companhias do agronegócio.

Entre eles, estão veículos estruturados para Cibra (R$ 150 milhões), Sinova (R$ 250 milhões) e 3tentos (R$ 340 milhões). Biotrop, Sumitomo e Cocari também são clientes da Opea.

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O escritório Pinheiro Neto foi o assessor jurídico da emissão do fundo da Basf.