
Rumo ao quarto ano de vida, o E-agro, marketplace criado pelo Bradesco, planeja um crescimento de 25% a 30% em sua carteira de crédito em 2026. É uma meta ambiciosa num ano ainda delicado para a cadeia de grãos, amparada na combinação entre maturidade do produto, aumento do crédito subsidiado e expansão para um novo público: as empresas.
Embora seja ousado, o crescimento almejado não é desenfreado. O aumento projetado para 2026 é menor do que o de 2025, por exemplo. O E-agro fechou o ano passado com uma carteira de crédito de R$ 6,3 bilhões, mais do que dobrando de tamanho em relação ao ano anterior.
A expansão veio principalmente de CPRs, com juros variando de 17% a 21% ao ano.
As operações contratadas na plataforma têm uma flexibilidade de prazos, sendo o mínimo de 3 meses e o máximo, de 36 meses.
Assim como todo o setor de crédito no agronegócio, o E-agro também encarou um aumento da inadimplência e teve de lidar com produtores que pediram recuperação judicial no meio desse aumento. Os dados exatos sobre inadimplência no marketplace não são públicos.
“Temos administrado bem esse momento, principalmente intensificando garantias. Tiramos o pé do crédito clean ou do penhor. Também segmentamos um pouco mais a carteira em termos de rating para realmente favorecer quem estava com um histórico melhor”, explica Nadege Saad, head do E-agro, ao The AgriBiz.
Na Show Rural Coopavel, que acontece nesta semana, Roberto França, diretor de agronegócio do Bradesco, fez um discurso similar, acrescentando que o alongamento nas linhas de BNDES (usadas para investimentos dos produtores rurais) também tem sido um comportamento frequente observado na carteira do banco.
A expectativa do diretor é que 2026 seja um ano de “reacomodação” do produtor rural. Saad endossa o discurso. “Temos uma carteira saudável e, com a queda da Selic, o otimismo no marketplace está principalmente em 2027”, ressaltou.
Enquanto isso, o E-agro busca completar sua via de crescimento traçando um caminho já sinalizado por França em setembro do ano passado: aumentar a quantidade de crédito subsidiado repassado pela plataforma.
No ano passado, o diretor ressaltou que o Bradesco estava comprando operações de DIR-Rural de outros bancos, além de aumentar a exposição às linhas de Pronaf.
No E-agro a estratégia não é diferente. O ano de 2025 ainda foi de testes para o repasse desse tipo de recurso — totalizando uma carteira de R$ 1,4 bilhão no marketplace — mas o plano é escalar em 2026.
“Norte e Nordeste são muito bons em recursos obrigatórios, por exemplo. Temos um mar de Pronaf para melhorar a jornada do produtor e crescer”, acrescenta Saad, ressaltando que vai viajar para o Norte ainda neste mês. “Esse ano, Pronaf vai crescer bastante lá”.
E-agro para PJ
Além de entrar com mais força no crédito subsidiado, a plataforma vai inaugurar a prestação de serviços para empresas neste ano, de olho na oferta de serviços para produtos agrícolas.
Por ser um ano de testes, o foco nesse primeiro momento será ofertar a CPR para PJ, crescendo ao longo do tempo para outros serviços, como o adiantamento de recebíveis automatizado.
“É um outro público com quem vamos começar a aprender. Vai possibilitar entrar nas revendas, por exemplo, hoje uma tarefa do atacado ou do Middle-market do banco, em que o E-agro não entrava”, explica Saad.
A previsão é que os serviços já estejam disponíveis a partir de julho, para financiar a safra de grãos 2026/27.
Nesse mesmo período, deve entrar em operação uma outra oferta, destinada principalmente aos produtores rurais, a CPR em dólar, um resultado da demanda principalmente do Centro-Oeste — em busca de um “hedge” do produtor com os contratos de exportação.
“Um produtor que opera internacionalmente, por exemplo, vende no começo da safra com o dólar a R$ 5,25 e busca uma CPR no dólar de R$ 5,15, segurando o próprio fluxo de caixa nesse ‘hedge’ feito por ele”, explica Saad.