Pulverizador em trator em lavoura de soja; estoques de insumos precisam cair mais, dizem empresas

A crise que assola as revendas agrícolas está cobrando um preço salgado dos credores. Nas reestruturações de dívidas das três principais redes em apuros — Agrogalaxy, Lavoro e, mais recentemente, Belagrícola —, R$ 5 bilhões vão virar pó.

Levantamento feito pela reportagem de The AgriBiz mostra que esse é o desconto (ou haircut, no jargão do mercado) que os credores tiveram de aceitar nas negociações, via recuperação judicial ou extrajudicial, para que as companhias ainda tenham uma chance de retomada.

Nas renegociações de Agrogalaxy e Lavoro, que já foram concluídas, as dívidas foram cortadas em mais da metade, saindo de um total de R$ 7,1 bilhões para cerca de R$ 3 bilhões.

Isoladamente, a rede controlada pelo Aqua Capital reduziu a dívida em uma proporção superior. Dados disponíveis nas demonstrações financeiras da Agrogalaxy mostram que a dívida sujeita à recuperação judicial foi reduzida em mais de 60% após a aprovação do plano, saindo de R$ 4,6 bilhões para R$ 1,8 bilhão.

No caso da Belagrícola, a recuperação extrajudicial ainda está em negociações, mas é bastante provável que a redução das dívidas, estimadas em R$ 2,2 bilhões, siga o mesmo padrão, ficando próxima da metade.

Nesses cálculos, é importante ponderar que nem todos os credores tiveram o mesmo impacto. Nas negociações, os apoiadores (aqueles que seguem financiando ou fornecendo insumos) saem com condições melhores nos três casos.

Os casos de Agrogalaxy, Lavoro e Belagrícola, no entanto, mostram apenas uma parte das perdas dos credores.

Quando se considera que outras revendas menores também entraram em recuperação judicial, o que inclui casos como a paraense Portal Agro e a mato-grossense Forte Agro, fica evidente que o prejuízo será bem maior.

Nessa análise, sequer foram incluídas as recuperações judiciais do agronegócio como um todo, que vêm batendo recorde e acumulam players de setores variados, como sementeiras (Uniggel é o caso mais recente), cerealistas (Grupo Safras), tradings de café (Montesanto Tavares) e produtores rurais.

Inevitavelmente, as perdas dos credores deixarão sequelas. Ao machucar o balanço dos financiadores — sejam eles bancos, fornecedores ou fundos de investimento —, a crise muda a percepção de risco setorial, encarecendo e escasseando ainda mais o crédito num momento de Selic nada amigável.