Sede do Banco do Brasil (BB), principal credor da Aliança Agrícola | Schutterstock

Na medida cautelar colocada pela Aliança Agrícola nesta semana, é possível ter uma noção um pouco mais aprofundada de como está o endividamento da trading controlada pelo grupo russo Sodrugestvo.

A maior parte da dívida da companhia está com o setor financeiro. Dos R$ 1,1 bilhão em débitos listados no processo, cerca de R$ 971 milhões estão alocados em bancos, com exceção da dívida com a Multiplike Securitizadora (R$ 24 milhões) e Multiplica Capital (R$ 36 milhões).

Também está na lista, fora dos bancos, a securitizadora Ecoagro — neste caso, a prevê o pagamento aos detentores de CRAs para a próxima terça-feira.

Individualmente, nessa lista, o maior credor é o Banco do Brasil, com R$ 134,9 milhões. Tirando a Ecoagro, que segundo o processo tem R$ 110 milhões a receber, o próximo seria o Macquarie Bank, com R$ 104 milhões. Em seguida vem o Santander, com R$ 95 milhões, e a XP Investimentos, com R$ 80 milhões.

Na lista, é difícil encontrar uma instituição financeira que não estivesse presente no passivo. Há bancos de cooperativas, como o Sicoob (R$ 86 milhões), e instituições tradicionais, como Bradesco (R$ 56 milhões) e Itaú (R$ 21 milhões).

A relação inclui ainda os bancos ABC (R$ 41 milhões), Pine (R$ 38 milhões), Daycoval (R$ 30 milhões) e Fibra (R$ 21 milhões), além de Inter, Safra e BBM, com montantes menores. São pelo menos 19 agentes financeiros, ao todo.

O restante da dívida, de R$ 191 milhões, está pulverizada entre débitos com armazéns, produtores e cooperativas. O maior credor é a Itahum Export Comércio de Cereais, que tem R$ 33,9 milhões a receber.

No processo, o montante listado (o valor da causa colocada à Justiça) ainda é inferior ao passivo circulante listado no último balanço da companhia, referente a 30 de junho. No balanço, auditado pela KPMG, as dívidas a vencer nos próximos doze meses somam R$ 1,6 bilhão, ante R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2024.

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Os empréstimos e financiamentos passaram de R$ 418 milhões há dois anos para R$ 915 milhões no ano passado. O volume de arrendamentos também aumentou de forma significativa, passando de R$ 1,7 milhão para R$ 18 milhões. (No mesmo ano, a empresa fez um novo contrato referente à planta de Bataguassu, com a gestora Riza).

Tanto em 2025 quanto em 2024 a Aliança Agrícola consumiu caixa nos balanços finalizados em junho. No ano passado, esse consumo foi de R$ 6,8 milhões e, no período anterior, de R$ 23 milhões. Ao final de junho de 2025, a empresa tinha R$ 13 milhões em caixa.

Uma das 20 maiores comercializadoras de grãos do País, a Aliança Agrícola interrompeu as suas operações de forma inesperada nas últimas semanas, surpreendendo credores, funcionários e fornecedores.

Ontem, em um post no LinkedIn, a empresa admitiu problemas financeiros e informou que decidiu paralisar suas plantas industriais temporariamente.