Cadê o café? Balanço global apertado garante receita ao exportador brasileiro

A baixa produção de café no mundo, reflexo do clima desfavorável nos dois principais fornecedores globais (Brasil e Vietnã), catapultou os preços do grão exportado pelos brasileiros, evitando que as exportações do País tivessem um resultado negativo em 2025.

Mesmo com uma diminuição de 20,8% no volume exportado pelo Brasil — os embarques somaram 40 milhões de toneladas no ano passado —, a receita com a exportação de café subiu 24,1%, de US$ 12,5 bilhões para US$ 15,5 bilhões.

A queda do volume embarcado reflete, é claro, os efeitos do tarifaço imposto por Donald Trump, mas o balanço global de oferta e demanda evitou que isso provocasse uma retração na receita.

No ano passado, o mundo consumiu 175 milhões de sacas de café e produziu 177 milhões de sacas. O saldo líquido de 2 milhões de sacas é inexpressivo, uma dinâmica que pressionou as cotações. Em dezembro, por exemplo, o preço do arábica estava 8% mais caro na comparação com o mesmo mês de 2024.

Mesmo pressionado pelos preços altos, o consumo no mundo vem se mostrando resiliente. “O que estamos vendo é o consumo de café resiliente, com indicadores maduros, mesmo com os problemas dos últimos anos, como inflação, juros altos e pandemia”, disse Marcos Matos, CEO do Cecafé.

Na visão do Cecafé, os preços devem se manter em patamares elevados ao menos até começar a colheita da próxima safra, no segundo semestre. Os estoques globais contribuem para essa percepção.

“Todos estão com poucos estoques, o mundo está short, ávido por comprar. E isso pressiona as cotações”, prosseguiu Matos.

Safra e exportação boas, mas com emoções

Para o ano que se inicia, a previsão do Cecafé é positiva, estimando safra maior — ao encontro da avaliação feita por especialistas — e exportações em patamar acima de 2025.

“A gente espera que o Brasil tenha sucesso na próxima safra. Difícil ter um número, por causa da questão climática, mas certamente acima das 40 milhões de sacas [de 2025]”.

Matos detalhou que o primeiro trimestre é a fase mais sensível da produção, quando acontece o enchimento dos frutos. “Então as melhores estimativas de safra vêm depois disso, sempre atentos ao clima, ao equilíbrio das chuvas e às ondas de calor”.