
Bola cantada, a queda no consumo global de suco de laranja causou danos novamente para as exportações brasileiras.
Segundo boletim divulgado há pouco pela CitrusBR, a associação que reúne as indústrias exportadoras no Brasil, o volume vendido ao exterior caiu 8,1% nos seis primeiros meses da safra 2025/26, entre julho e dezembro do ano passado.
Foram 394,7 mil toneladas de suco de laranja vendidas ao exterior, sob o código de negociação de commodities FCOJ 66 Brix, contra 429,4 mil toneladas no mesmo período de 2024.
A queda foi ainda mais acentuada no faturamento, que caiu 23,2% no período, totalizando US$ 1,44 bilhão, contra US$ 1,87 bilhão entre julho e dezembro de 2024.
O Brasil é o maior produtor e exportador de suco de laranja no mundo, vendendo 95% de sua produção para o exterior. E quase a totalidade das exportações de laranja do País é na forma de suco congelado.
O resultado reflete uma tendência que vem se consolidando nas últimas décadas, com o consumo global caindo 3% ao ano, em média, principalmente na União Europeia.
Segundo analistas, os consumidores têm se afastado graças aos preços altos e às preocupações com o teor de açúcar no produto, preferindo opções mais saudáveis.
“Os altos preços da safra passada tiveram um efeito muito ruim sobre a demanda, e é preciso paciência para que o consumidor volte à categoria, conforme a oferta de produto e os valores praticados no varejo europeu se acomodem”, comentou o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto.
Estados Unidos seguem como maiores compradores
A salvo do tarifaço, os exportadores de suco de laranja conseguiram ampliar as vendas aos EUA, mostrando o efeito nefasto da queda do consumo no Velho Continente para o desempenho das exportações como um todo.
No semestre, os Estados Unidos ampliaram as compras de suco do Brasil em quase 35%. Segundo a CitrusBR, o país respondeu por 55,2% do volume exportado no período. Foram 217,9 mil toneladas de FCOJ equivalente, contra 161,6 mil toneladas na mesma janela em 2024.
Em receita, os embarques aos EUA totalizaram US$ 746,2 milhões, um aumento de 10,4% em relação aos US$ 675,8 milhões registrados entre julho e dezembro de 2024.
Em compensação, as vendas para a Europa — que representam 39,3% das exportações brasileiras — recuaram 31,9% na comparação anual, de 228 mil toneladas para 155,2 mil toneladas. Em receita, a queda foi de 41,9%, passando de US$ 1 bilhão para US$ 601,5 milhões.
No caso da China, as importações caíram 45,8% na comparação entre os segundos semestres, de 19,2 mil toneladas em 2024 para 10,4 mil toneladas em 2025. Em faturamento, os embarques diminuíram 18,7%, para US$ 43 milhões.
No Japão, também houve queda, de 54,4%, totalizando 5,2 mil toneladas no primeiro semestre da safra 2025/26, contra 11,4 mil toneladas no primeiro semestre da safra 2024/25.
Nos demais mercados reunidos, a queda em volume exportado foi de 32,3%.
USDA faz previsão otimista para próxima safra
Para a próxima safra, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manifestou otimismo. A esperança na citricultura é que uma recuperação na oferta ajude a reduzir os preços, estimulando o consumo.
Assinado pela analista Carolina Castro, o relatório divulgado ontem estima a produção brasileira em 330 milhões de caixas (de 40,8 kg, ou 90 libras, cada uma) em 2026/27. O órgão americano ampliou sua projeção anterior, que indicava 320 milhões de caixas.
Para fins de comparação, se concretizada, a nova projeção do USDA levaria a um aumento anual de 11,9% frente à estimativa mais recente do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) para a safra 2025/26, de 294,81 milhões de caixas.