
A primeira quinzena de janeiro seguiu o mesmo padrão de precipitações observado desde outubro, ou seja, com acumulados abaixo da média.
Mesmo com a formação de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul, um sistema capaz de gerar chuva mais intensa, poucas áreas produtoras fecharam a primeira metade do mês com acumulado acima do normal.
Nas áreas de café do Espírito Santo, choveu pouco mais de 100 milímetros, ou 35mm além do normal para época do ano. No Acre, apesar da chuva dentro da média, em torno dos 135mm, as tempestades na cabeceira do rio Acre trouxeram inundações à capital Rio Branco.
Olhando para a chuva abaixo da média, destacamos o café do sul de Minas Gerais com acumulado de 70mm, e o sudeste de Mato Grosso, precisamente a área de grãos na Rondonópolis, com 65mm — ambas com metade da climatologia.
Atualmente, temos a segunda Zona de Convergência do Atlântico Sul do ano, mais intensa que a do início do mês, porém ainda assim, gerando acumulados bem diferentes dependendo da área produtora.
Em áreas de café de Minas Gerais, por exemplo, estimam-se mais de 100mm até o próximo domingo, aumentando a umidade do solo, porém também gerando transbordamentos e deslizamentos de encosta.
Por outro lado, apesar do tempo nublado e úmido, o acumulado será bem mais modesto, alcançando menos de 50mm em áreas de soja do norte de Goiás, Tocantins e Bahia.
No decorrer da semana que vem, a Zona de Convergência dissipa, fazendo com que retorne uma condição típica de verão, com aumento do calor e pancadas de chuva durante as tardes nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
A região Sul enfrenta um período seco prolongado e a soja da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai sente os efeitos do déficit hídrico. Por lá, a chuva reaparecerá apenas na virada de janeiro para fevereiro e, ainda assim, o acumulado não será suficiente para aumentar a umidade do solo.
Por conta da aceleração da colheita da soja e do plantio do milho em fevereiro, as atenções voltam-se ao Mato Grosso. As invernadas previstas no primeiro e no terceiro decêndios do próximo mês podem atrasar ainda mais o plantio do milho, lembrando que já há um atraso no processo em função da chuva irregular e replantio da soja ocorrido na primavera.
Vale lembrar que, no ano passado, o Brasil enfrentou uma estiagem em fevereiro e março — e o milho teve uma boa produtividade por conta de chuvas fortes ocorridas em abril.
Já neste ano, apesar das invernadas de fevereiro, boa parte do País receberá menos chuva que o normal neste mês e em março. Em abril, a precipitação enfraquecerá a partir de meados do mês e pode não ser suficiente para completar todo o ciclo da cultura.