Mosaic

Em uma tentativa de preparar o terreno (e o bolso dos investidores) para as dificuldades que vai mostrar na divulgação do balanço do quarto trimestre daqui a um mês, a Mosaic soltou nesta sexta-feira um comunicado com uma prévia dos resultados.

A companhia tentou argumentar que os resultados devem melhorar já neste ano, mas a decepção ficou escancarada na bolsa de Nova York. Por volta das 16h, as ações da gigante de fertilizantes caiam mais de 5%. A Mosaic está avaliada em US$ 8,3 bilhões.

“Foi um trimestre excepcionalmente fraco”, admitiu a Mosaic, em um comunicado sobre os resultados do quarto trimestre.

Estados Unidos e Brasil, os dos maiores mercados da empresa, tiveram resultado abaixo do esperado. Apesar disso, a Mosaic argumenta que os problemas foram pontuais, com sinais de evolução em 2026.

No Brasil, o aumento dos preços do enxofre, o avanço das restrições de crédito e o aumento da demanda de fosfatados importados da China — que são muito mais baratos, mas têm uma solubilidade menor — pesaram na operação local da Mosaic.

Em dezembro, a companhia chegou a paralisar temporariamente duas fábricas no País, um comportamento que também se seguiu em outras regiões do globo, de olho em redirecionar o fluxo de demanda para regiões mais promissoras.

Nos Estados Unidos, o bolso mais apertado do produtor e o início precoce do inverno também tombaram a demanda na América do Norte. De acordo com o comunicado, os embarques de fosfatados ficaram 20% menores do que no mesmo período do ano anterior.

Globalmente, as vendas de fosfatados fecharam o quarto trimestre em 1,3 milhão de toneladas, queda de 18,7% na comparação anual. No caso do potássio, as vendas ficaram estáveis, em 2,2 milhões de toneladas.

Luz no fim do túnel?

Apesar de fechar um ano duro, a companhia traçou perspectivas mais otimistas para 2026.

“No Brasil, os problemas de crédito persistem, mas a expansão da área plantada e uma maior rentabilidade da safra devem sustentar a demanda por fertilizantes, potencialmente estabelecendo outro recorde de demanda”, disse a Mosaic.

Na visão da companhia, o boom de importações de fosfatados de menor solubilidade não parece provável de se repetir, dadas as novas restrições de exportação colocadas pela China.

“As restrições são mais amplas e de maior duração às exportações de fosfatos, e devem permanecer em vigor pelo menos até à primeira metade do ano”, aponta a Mosaic.

Como consequência, os preços já mostram uma reação à demanda global desde o início do ano, um ponto positivo para a empresa.

Um outro ponto que traz suporte às expectativas otimistas é o equilíbrio do mercado de potássio, graças a um acordo antecipado de contratos na China, que deve proporcionar mais estabilidade nos preços ao longo do ano. Com isso, há perspectivas otimistas para a Canpotex, empresa de exportação de potássio do Canadá, da qual a Mosaic é acionista.

“Tomados em conjunto, esses fatores sugerem uma melhora das perspectivas ao longo do ano”, finaliza a empresa.