
A rivalidade entre Marfrig e Minerva ganhou mais um capítulo nesta sexta-feira. Desta vez, a disputa se dá no Uruguai.
Dois anos depois de anunciar a venda de três frigoríficos uruguaios à concorrente por R$ 675 milhões, a Marfrig comunicou nesta sexta-feira que o contrato perdeu a validade.
Em um fato relevante, a companhia de Marcos Molina explicou que o contrato previa um prazo limite de dois anos para que todas as aprovações necessárias à conclusão do M&A fossem obtidas.
Como a Minerva ainda não conseguiu a aprovação da autoridade antitruste do Uruguai nesse período, o contrato deixou de existir, de acordo com a Marfrig.
Em comunicado, a Minerva contestou a rival. “A companhia discorda da alegação da Marfrig e entende que o contrato permanece em vigor”, disse a empresa da família Vilela de Queiroz.
No entendimento da Minerva, o M&A ainda está válido, e depende da aprovação da Coprodec — a autoridade antitruste do Uruguai.
No Uruguai, a Minerva enfrenta forte oposição de pecuaristas, por considerar que a aquisição daria um poder de mercado excessivo à companhia na produção de carne bovina — mais de 40% dos abates.
Não à toa, a Coprodec já vetou a transação uma vez. Depois da primeira reprovação, a Minerva entrou com um segundo pedido, desta vez sugerindo vender uma das plantas ao grupo indiano Allana. Neste ano, a companhia também sinalizou que poderia se desfazer de uma segunda planta.
Mesmo assim, os argumentos não parecem ter convencido a Coprodec. A autoridade antitruste pediu várias informações sobre a Allana, e está desconfortável com algumas respostas, disse uma fonte.
Uma das grandes dúvidas diz respeito às relações societárias entre a Allana que fez o acordo com a Minerva e o grupo indiano de alimentos.
Tecnicamente, a companhia dos Vilela de Queiroz assinou o acordo com uma entidade sediada na Espanha que pertence a um dos sócios da Allana, mas não é diretamente ligada ao grupo indiano.
Se o cancelamento do contrato prevalecer, como entende a Marfrig, é possível que o órgão antitruste do Uruguai talvez nem vá adiante com essa análise, encerrando o processo por perda de objeto. Até lá, a Minerva certamente vai contestar os argumentos.
Com o M&A desfeito, a companhia de Marcos Molina continuará como a maior indústria de carne bovina do Uruguai, com quatro plantas, o lhe dá flexibilidade para continuar exportando aos Estados Unidos — uma vez que o tarifaço de Trump tirou competitividade da operação brasileira.
A Minerva, por sua vez, continuará tendo um concorrente de peso no mercado uruguaio. Em compensação, não precisará pagar qualquer multa pelo cancelamento do negócio.
A novela continua.