
O brasileiro sentiu no bolso a alta do café em 2025, reagindo com queda no consumo: foram 21,4 milhões de sacas na safra 2024/25, um recuo de 2,3%em relação à safra anterior. Para representantes da indústria, a recuperação desses volumes pode acontecer já em 2026.
Não é como se os preços fossem cair dramaticamente — afinal, o balanço global entre oferta e demanda segue apertado. Mas, segundo Pavel Cardoso, presidente da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), a volatilidade deve ser menor.
A expectativa é que a safra atual seja capaz de compensar as frustrações de volumes constatadas principalmente desde o final de 2024 — e que levaram a uma escalada dos preços do café. Em novembro e dezembro daquele ano, por exemplo, os preços chegaram a subir mais de 50% em 15 dias, trazendo dores para a indústria.
Para 2026, Cardoso traça um cenário mais otimista. “Ainda não é prudente falar de números, mas todos indicam que teremos uma safra maior neste ano. Houve uma boa florada em agosto e setembro, com o La Niña permeando esse período”, explicou Cardoso.
O ponto é que essa safra mais cheia ainda encontra um momento de estoques baixos, reflexo de descasamentos entre oferta e demanda nos últimos anos. Desde 2021, as safras têm sido menores do que o esperado inicialmente.
“O entendimento de alguns operadores é que precisaremos de mais duas safras para ter uma redução [de preços] numa proporção mais confortável ao consumidor final”, frisou Cardoso.
Em meio aos preços mais altos, o consumidor comprou mais café solúvel. No mapeamento da Abic, essa foi a única categoria a aumentar as vendas em 2025, passando de 1 milhão de sacas em 2023/24 para 1,1 milhão de sacas em 2024/25.
E a indústria?
No ano passado, enquanto os demais preços da cesta básica (açúcar, leite, arroz, feijão e óleo de soja) caíram 14,4%, no agregado, o café subiu 5,8%.
Isso se traduziu em um faturamento maior para as indústrias. No ano, as associadas da Abic tiveram uma receita de R$ 46,2 bilhões com as vendas no mercado interno, um aumento de mais de 25% sobre o ano anterior.
No mercado externo, mesmo com o tarifaço, também houve um aumento expressivo. A receita foi de R$ 200,6 milhões, um avanço de 48% na comparação anual.
Os aumentos, segundo o presidente da associação, ainda não são suficientes para compensar as perdas acumuladas do setor durante esses últimos cinco anos.
“De 2021 para cá, o café robusta subiu 201%, o arábica subiu 212% e a indústria aumentou em 116% os preços para o consumidor final. As margens foram sacrificadas”, afirmou.