
Três meses após começar a originar e beneficiar arroz no Paraguai, a Camil já vislumbra dobrar a aposta, em uma demonstração de imensa competitividade do arroz vizinho em comparação ao Brasil.
Em teleconferência com analistas na manhã desta quinta-feira, o CEO da Camil, Luciano Quartiero, disse que vê a oportunidade de dobrar (ou até triplicar) de tamanho no Paraguai em cinco anos.
Quando anunciou a aquisição da Villa Oliva no Paraguai, a Camil projetava um potencial de 100 mil a 110 mil toneladas de produção por lá. É sobre esse volume que o executivo projeta o crescimento adicional dos próximos cinco anos.
“O Paraguai é o menor custo de produção do Mercosul. É muito competitivo. Além do Brasil — principalmente São Paulo e Minas Gerais —, esse arroz também vai para o Chile e pode ir ao Peru”, detalhou Quartiero.
No trimestre, o primeiro a consolidar os resultados do Paraguai na receita de vendas fora do Brasil, a Camil apontou que o aumento de volumes registrado para a divisão (de quase 60% na comparação anual, para 249 mil toneladas) veio principalmente do Uruguai e do Paraguai — dando força ao argumento da expansão local.
Mesmo com as perspectivas otimistas para o país vizinho, o CEO fez questão de ressaltar, na teleconferência, que isso não significa uma migração de produção da Camil.
“Não estamos desestimulando nem vamos migrar toda a originação do Brasil para o Paraguai. Estamos pegando a produção que já existe e trazendo destinos adicionais. É incremental, não é substituição de fornecimento”, enfatizou.
A fala do empresário é relevante diante da situação calamitosa dos arrozeiros gaúchos. Se a maior beneficiadora de arroz do País trocasse o Brasil pelo Paraguai, seria o golpe de misericórdia.
Na teleconferência, Quartiero lembrou que, em breve, a companhia vai inaugurar a beneficiadora de Itaqui, no Rio Grande do Sul. Anunciado em 2021, a fábrica deve aumentar a produção da companhia em até 20%, somando 1 milhão de fardos, com o menor custo de produção no Brasil. O investimento total foi de R$ 500 milhões.
“É uma planta em estado da arte, combinando a termelétrica com a área industrial e a produção de óleo a partir do arroz. Vamos começar os testes de produção em fevereiro e devemos estar em marcha completa a partir de junho”, lembrou Quartiero.
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Os papéis da Camil sobem 2,5% no dia, apoiados em resultados que agradaram o mercado, refletindo um desempenho positivo em volumes, mesmo com os preços do arroz em baixa — que parecem perto do piso, sinalizou o CEO.
A companhia teve uma receita de R$ 3,1 bilhões, queda de 5% ano a ano, mas com um Ebitda quase 40% maior, de R$ 238 milhões. O lucro ficou estável no período, em R$ 44 milhões.
“A melhora nos preços do arroz é o que vai ditar o aumento de preços para a ação. Mas o terceiro trimestre é importante para ancorar as expectativas nesse ambiente de baixos preços, mostrando uma melhora sequencial de margem no segmento Internacional”, resumiram os analistas Henrique Brustolin e Pedro Fontana, do Bradesco BBI.