Sede do Banco do Brasil (BB), principal credor da Aliança Agrícola | Schutterstock

A inadimplência no agronegócio continua sendo um problema para o Banco do Brasil. No quarto trimestre de 2025, os atrasos superiores a 90 dias voltaram a crescer e atingiram 6% da carteira agro, ante 4,84% em setembro, marcando o décimo trimestre consecutivo de aumento.

A mudança de patamar, no entanto, é mais evidente ao longo do ano passado. Em dezembro de 2024, os atrasos superiores a 90 dias representavam 2,23% da carteira.

É justo lembrar que a mudança nas regras de contabilização de perdas por inadimplência, que exigiram um maior rigor dos bancos na apresentação dos resultados, tem um peso relevante nessa comparação. Mas a sequência de atrasos no maior financiador do setor não deixa de ser uma fotografia dos problemas enfrentados há dois anos na cadeia de grãos.

No balanço divulgado na noite desta quarta-feira, a inadimplência over 90 somou R$ 24,7 bilhões, sendo que quase 20% desse montante está alocado em devedores que pediram recuperação judicial. O saldo total em RJ estava na casa dos R$ 7 bilhões em dezembro de 2025, um aumento de 57% em um ano.

A alta da inadimplência no final de 2025 havia sido antecipada pelos executivos do BB, que chegaram a prever uma redução nos atrasos dos pagamentos a partir do primeiro trimestre de 2026. A expectativa é que os programas de renegociação de dívida, criados a partir da medida provisória visando a regularização de dívidas rurais, ajudem a estancar a sangria.

A partir da MP nº 1314, o banco criou duas verticais: o BB Regulariza Dívidas Agro (com uso de recursos livres) e Programa BNDES Liquidação de Dívidas Rurais (com recursos de fundo social/BNDES) com prazos de pagamento de até nove anos, garantias adicionais e pagamentos semestrais ou anuais.

Até o final de dezembro, o BB conseguiu trazer para esses programas um volume de R$ 22,6 bilhões (93% em recursos livres), contemplando 15,3 mil clientes.

Na prática, a renegociação ajuda o banco a “limpar” o balanço, realocando os saldos anteriormente listados em atraso. Além disso, cada real negociado com recursos livres gera benefícios de capital relacionados a créditos tributários, contribuindo para a melhora do funding.

A renegociação chegou perto do que os executivos do banco estimavam em novembro. Na ocasião, a meta era liberar R$ 24 bilhões em recursos livres para as renegociações — o banco tinha, ao todo, R$ 4,3 bilhões em recursos controlados para serem desembolsados.

A evolução da carteira

O banco fechou o ano com uma carteira de crédito no agro de R$ 406,1 bilhões, numa sutil expansão de quase 2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Durante os primeiros seis meses do Plano Safra 25/26, o Banco do Brasil desembolsou R$ 103,9 bilhões em crédito ao agronegócio, uma queda de 9,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Em uma postura ainda cautelosa para esse 2026, o banco projeta um intervalo para a expansão da carteira de -2% a 2%.

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Nos três meses encerrados em dezembro, o BB teve um lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, queda de 40% em relação ao quarto trimestre de 2024, refletindo o resultado operacional mais fraco durante o período. Para 2026, o banco projeta que a última linha do balanço fique entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.