Felipe Guth, Ariadne Caballero, Alexandre Stephan e Francisco Jardim, sócios da SP Ventures
Felipe Guth, Ariadne Caballero, Alexandre Stephan e Francisco Jardim, sócios da SP Ventures

“Os períodos mais desafiadores para captação são, historicamente, os melhores momentos para alocação de capital.” A frase é de Francisco Jardim, fundador da SP Ventures, mas a convicção é compartilhada pelos investidores na gestora — e está por trás da nova rodada de aportes de seu terceiro fundo de venture capital.

Com os US$ 21 milhões levantados no segundo closing, anunciado nesta terça-feira, a SP Ventures chega a US$ 50 milhões captados para o seu terceiro fundo, que pode alcançar US$ 80 milhões nos próximos meses em um possível terceiro fechamento. Se confirmado, o fundo III será o maior já estruturado pela empresa.

Antigos e novos parceiros entraram na nova rodada. O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que já era investidor do fundo anterior, é um dos âncoras ao dobrar a sua aposta no terceiro fundo, entrando com US$ 8 milhões.

A JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão) investiu o mesmo valor, de olho em iniciativas que possam ajudar no projeto de recuperação de pastagens degradadas do governo federal, batizado de Caminho Verde, no qual os japoneses estão bastante engajados.

“Na análise do nosso projeto, eles viram as tecnologias e as empresas em que a SP está investindo como pilares para fazer essa transição”, disse Jardim ao The AgriBiz. “Biológicos, inteligência artificial, sistemas digitais, gestão… Teve um elo interessante ali.”

Nesse fechamento também entraram o Grupo Colorado, tradicional empresa do setor sucroenergético, o grupo colombiano Manuelita, também com foco no setor sucroalcooleiro e em produção sustentável de alimentos, e o The Nest, um family office belga voltado a investimentos de impacto no agro.

Para Jardim, o perfil dos investidores, em sua maioria estrangeiros, consolida a SP Ventures como uma gestora líder na América Latina. “Hoje, temos investidores de todos os continentes, exceto da Oceania, mostrando o interesse globalizado pelo agro na região”, ressaltou.

“Temos sócios e executivos latino-americanos, um escritório no México e já estamos em nossa segunda safra de fundos investidos fora do Brasil. Estamos nos consolidando como um verdadeiro investidor regional”, acrescentou.

As teses do terceiro fundo

O foco do terceiro fundo é investir em tecnologias e negócios visando a resiliência climática da agricultura e o aumento da produtividade.

Nessa linha, a SP Ventures continuará investindo em agfintechs, de olho na democratização do crédito com aplicação de tecnologia, na cadeia de biológicos, especialmente em empresas que dominam a nova geração, e inteligência artificial, seja para desacelerar a desintermediação da cadeia ou em ferramentas de gestão turbinadas por IA.

Duas empresas já receberam aportes do fundo: Produzindo Certo, agtech especializada em rastreabilidade, e Blooms, uma plataforma de trade finance mexicana que financia exportações agrícolas do México para os Estados Unidos.

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Atualmente, a SP Ventures administra mais de US$ 100 milhões em ativos.