Agrogalaxy

No fundo do poço tinha um alçapão. Já não bastavam as dificuldades financeiras da Agrogalaxy para fazer o negócio parar de pé em meio à recuperação judicial, os principais executivos da companhia resolveram abandonar o barco.

O CEO, Eron Martins, o CFO, Luiz Conrado Sundfeld, e a diretora Marina Godoy renunciaram aos seus cargos, segundo fato relevante divulgado na noite desta quarta-feira.

Além dos executivos, o fundador do Aqua Capital, Sebastian Popik, um membro-chave na construção do negócio, também renunciou ao posto de presidente do conselho de administração, o que sinaliza um afastamento das decisões da companhia. O movimento pode ser interpretado como uma jogada de toalha da gestora sobre uma tese que defendeu com afinco por tanto tempo.

Vale lembrar que, há menos de um mês, Tomas Romero, homem de confiança de Popik, também deixou o conselho de administração da companhia. O Aqua Capital é o maior acionista da Agrogalaxy, com mais de 60% de participação.

Quem fica?

A Agrogalaxy já apresentou os substitutos nesta noite, mas, na prática, haverá um enxugamento tanto da diretoria executiva como do conselho de administração, o que ajudará a cortar custos.

Para a presidência do conselho de administração foi eleito Ruy Flaks Schneider, consultor com passagens pelos conselhos de Petrobras e Eletrobras e que atualmente integra os conselhos da Kepler Weber e da Norte Energia. Também nesta quarta, a empresa decidiu reduzir de cinco para três o número de cargos no conselho.

Para o cargo de CEO foi eleito Luiz Gabriel Piovezani Silva, diretor de suprimentos da Agrogalaxy em Maringá (PR), combinando interinamente as funções de diretor financeiro e de relações com investidores.

No lugar de Marina Godoy ficará Marcos de Carvalho Ramos, que vai combinar também as funções de diretor administrativo da companhia.

A troca de tantas cadeiras ao mesmo tempo já seria um movimento de chamar a atenção em qualquer companhia. Mas, na Agrogalaxy, levanta ainda mais dúvidas sobre o futuro da empresa — que, até agora, não conseguiu parar de pé.

Desde a recuperação judicial, a rede de revendas empreendeu uma série de esforços. Fechou mais de 75 lojas, viu o faturamento encolher mais de 70% e, neste início de ano, fechou a sementeira Campeã — um ativo outrora visto como a joia da coroa.

Antes disso, a empresa tentou retomar as antigas bandeiras Agro100, Agrocat e Rural Brasil, em busca de um resquício de confiança de investidores e clientes, numa relação que ruiu com os pedidos de recuperação judicial.

Nada disso contribuiu para, de fato, dar fôlego à empresa. No balanço do terceiro trimestre, a Agrogalaxy seguia consumindo caixa. Em setembro, a companhia tinha R$ 57,5 milhões em caixa, ante um saldo de R$ 199,8 milhões no mesmo período do ano anterior.