
A Corteva está mais otimista em 2026 do que esteve nos dois anos anteriores. Não é céu de brigadeiro, mas neste ano, ao contrário dos últimos, a empresa vislumbra um modesto crescimento em volumes vendidos — em comparação à estabilidade vista nas últimas duas safras.
“Ainda que nós vejamos um ambiente de preços mais competitivos em grandes mercados, como a América Latina e a Ásia, a demanda dos produtores está em linha com a média histórica”, afirmou Chuck Magro, CEO da Corteva, em call com analistas nesta quarta-feira.
Com base nesse diagnóstico, a empresa estima crescer 7% em 2026, considerando o ponto médio das perspectivas divulgadas aos investidores na noite de terça-feira, quando divulgou seus resultados financeiros. O Ebitda foi estimado em US$ 4,1 bilhões, considerando o ponto médio do guidance.
Na maior parte do ano, a empresa ainda deve operar como uma só, apesar da já anunciada separação das verticais de proteção de cultivos e sementes. Essa divisão, segundo o CEO, deve acontecer perto do quarto trimestre.
“Nos últimos meses, uma parte do nosso conselho esteve muito ocupada procurando um CEO global para a nova Corteva. Estamos fazendo um ótimo progresso e esperamos fazer um anúncio sobre isso ainda no primeiro semestre”, afirmou Magro.
Mais para o meio do ano, a empresa deve anunciar também os nomes que vão compor as lideranças das duas companhias. Tudo isso para, no segundo semestre, começar a levar essa separação de empresas “até à linha de chegada”, ressaltou o CEO.
Do ponto de vista financeiro, a separação deve gerar um aumento de custos de aproximadamente US$ 50 milhões neste ano (com outros US$ 50 milhões distribuídos a partir de 2027).
Acordo com a Bayer
Enquanto os detalhes sobre a nova empresa permanecem em sigilo, a Corteva aproveitou a ocasião para destacar os principais pontos que devem levar a companhia a crescer em 2026.
No início do ano, a multinacional chegou a um acordo com a Bayer, resolvendo um litígio relacionado a patentes relacionadas a sementes de milho — e ao consequente pagamento de royalties. O acordo resultou num desembolso de US$ 610 milhões para a Bayer, que deve ser feito ainda neste ano.
Com esse conflito resolvido, a empresa não vai mais precisar pagar certos royalties à Bayer (levando a um cenário de “royalty neutrality”, definiu a empresa). Ela também poderá licenciar sementes de milho já em 2027, um prazo muito antecipado em relação ao cronograma original da empresa. Também está prevista, em curto prazo, a entrada no mercado de algodão nos Estados Unidos.
“Ficamos muito felizes em anunciar que chegamos a um acordo que solidifica os direitos de uso da nossa própria tecnologia em sementes de milho, canola e algodão, incluindo nosso germoplasma”, afirmou Magro, no call.
Cenário desafiador no Brasil
Em paralelo, a multinacional também segue otimista com o Brasil, especialmente nas vendas da semente Conkesta, de soja, em um dos maiores mercados globais do grão.
Ainda no Brasil, Robert King, VP de Proteção de Cultivos da Corteva, ressaltou que a companhia vê um ano ainda desafiador em termos de preços por aqui, especialmente considerando que o mercado está altamente abastecido de genéricos.
Não se trata, entretanto, de uma causa perdida. “Muitos desses produtos vêm da China. E, para nós, parece que o país pode estar dando passos iniciais para controlar algumas exportações, inclusive com o aumento de impostos, o que deve aumentar o custo dos produtos para o Brasil”, afirmou King.
A postura, caso confirmada, deve trazer um mercado mais construtivo, avaliou o executivo, ressaltando que o mercado não está progressivamente ficando pior do que no ano passado.