Campo de soja quase pronto para ser colhido em meio a chuva

O Brasil aproxima-se do seu ápice chuvoso. Mesmo depois de bons acumulados nos últimos sete dias, ainda há muita chuva por vir até o fim da semana que vem.

Nos próximos sete dias, a precipitação acumulada deve passar de 100 milímetros no sul de Minas Gerais, leste de São Paulo e na divisa de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. A média mensal para essa época do ano, nessas regiões, varia entre 200mm e 300mm.

Trata-se do maior acumulado de chuva previsto desde o início da primavera no Brasil, algo que deverá ajudar a aumentar o nível de reservatórios, como o Cantareira, que abastece a região metropolitana de São Paulo, e Furnas, importante para a geração de energia elétrica.

Já no estado do Rio de Janeiro, os mais de 150mm previstos devem trazer problemas generalizados associados a deslizamentos de encosta e transbordamentos na capital, região metropolitana, região serrana e Costa Verde.

Os dias mais chuvosos deverão ser vistos nesta quarta-feira (4) e entre o domingo e a terça-feira da semana que vem.

Por enquanto, as chuvas ainda não afetaram o ritmo de colheita da soja em Mato Grosso, mas ele deve desacelerar com o aumento da precipitação. Além disso, lavouras que já estão prontas para a colheita perdem qualidade pela chuva frequente, caso do norte de Mato Grosso, e a chance de espalhamento de doenças fúngicas aumenta.

Em São Paulo e em Minas Gerais, os tratos culturais nas lavouras de café, laranja e cana-de-açúcar também serão paralisados. No Nordeste, a chuva também aumenta nos próximos dias e traz alívio, pois a precipitação das últimas semanas não foi abrangente.

Como a “gangorra da chuva emperrou”, o Rio Grande do Sul enfrenta uma estiagem mais prolongada. Toda a fronteira do estado com o Uruguai necessita de pelo menos 80mm para que a umidade do solo, que atualmente está na casa de 20%, alcance o mínimo para o bom desenvolvimento das lavouras não irrigadas — percentual de aproximadamente 80%.

O problema é que esta chuva não virá tão cedo. Uma frente fria avançará pelo Rio Grande do Sul no próximo sábado, mas o acumulado não chegará aos 5mm no oeste gaúcho.

Na Argentina, a precipitação até deve trazer um alívio às áreas de soja e milho de Córdoba e Santa Fé ainda nesta semana, porém a província de Buenos Aires permanecerá sob precipitação mais fraca.

E no Carnaval?

No Carnaval, a gangorra da chuva finalmente mudará de posição e a precipitação mais intensa alcança boa parte da Argentina e do Rio Grande do Sul, aliviando a estiagem. Por outro lado, as regiões Sudeste e Centro-Oeste enfrentarão um período bem mais seco e quente, semelhante ao visto no último Natal. A previsão é parecida para Bahia e Tocantins.

O tempo seco irá acelerar as atividades de colheita da primeira e plantio da segunda safra em vários estados. A tendência é de que este novo padrão atmosférico persista por aproximadamente dez dias na América do Sul.