
Com o preço da carne bovina nas alturas, a Tyson Foods conseguiu compensar parte do aumento dos custos com o gado nos Estados Unidos, apresentando lucro acima do esperado no primeiro trimestre do ano fiscal. O cenário para 2026, no entanto, continua sendo de aperto.
No balanço consolidado, o lucro por ação da gigante americana caiu 15%, para US$ 0,97 no trimestre — a média das estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg era US$ 0,95.
A escassez de gado para abate nos Estados Unidos, no entanto, ainda pesa no resultado: o negócio de bovinos teve um prejuízo operacional de US$ 143 milhões, com margem negativa de 5,5%.
A receita do segmento de bovinos cresceu 8% na comparação anual, graças a um aumento de 17,2% no preço médio de venda. Os volumes caíram 7,3%, refletindo a menor oferta de animais para abate. O rebanho continua no menor nível desde 1951, segundo dados apresentados pelo USDA na última sexta-feira referentes a 1º de janeiro deste ano.
Em novembro, a empresa fechou um frigorífico em Nebraska e cortou um turno de produção de uma planta no Texas. Segundo a Tyson, medidas para otimizar as operações, como essas, têm ajudado a minimizar os impactos negativos da falta de matéria-prima.
Com a recomposição do rebanho ainda distante, a Tyson projetou um prejuízo operacional entre US$ 250 milhões e US$ 500 milhões para o negócio de bovinos em 2026. Mas fez um ajuste positivo em relação à estimativa anterior, que previa um prejuízo maior (entre US$ 400 milhões e US$ 600 milhões), em meio a melhores perspectivas para a demanda.
Na apresentação de resultados, a companhia ressaltou que a nova recomendação para dietas do governo Trump, apresentada no mês passado, coloca as proteínas como essenciais, sugerindo aumento no consumo.
Também beneficiado pela maior busca por proteína, o negócio de frango da Tyson repetiu o bom desempenho de trimestres anteriores. A margem operacional permaneceu em cerca de 11%, com um lucro de US$ 450 milhões nessa divisão.
Segundo o CEO da Tyson, Donnie King, esse foi o quinto trimestre consecutivo de crescimento nas vendas de carne de frango, em volume, refletindo a migração de parte do consumo de carne bovina para o frango.
“À medida que a demanda por proteínas continua aumentando, nossos ganhos consistentes de participação de mercado mostram que estamos bem posicionados para aproveitar esse momento”, disse King no relatório que acompanha o balanço.