
A gigante americana Darling Ingredients está perto de fechar mais uma aquisição no Brasil, a terceira em poucos anos.
Depois de comprar as brasileiras FASA e Gelnex em transações bilionárias que reforçaram a liderança global no reaproveitamento de subprodutos de origem animal, o grupo texano está na fase final para adquirir três fábricas da mineira Patense por R$ 560 milhões.
A notificação da transação ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) ocorreu na última segunda-feira, dia 26. O ato de concentração foi publicado na edição de ontem do Diário Oficial da União, iniciando o prazo de 30 dias para aprovação pelo ritmo sumário se não houver nenhuma oposição.
Ao que tudo indica, não haverá grandes problemas para o M&A. A Darling foi a única interessada nos ativos durante o leilão de 15 de janeiro, que ocorreu no âmbito da recuperação judicial da Patense.
A transação inclui três fábricas, localizadas nas mineiras Patos de Minas e Itaúna e no município de Adamantina, no interior paulista. Esse conjunto de ativos compõe a chamada UPI Bovinos.
Nos termos de uma recuperação judicial, uma UPI (Unidade Produtiva Isolada) funciona garante que o comprador pode adquirir os ativos sem ter qualquer responsabilidade pelas demais dívidas do grupo em recuperação judicial.
Como o próprio nome da UPI da Patense indica, as três fábricas adquiridas processam subprodutos do abate de bovinos, podendo transformá-los em ração, gorduras e colágeno, justamente o mercado de atuação da Darling, que é listada na bolsa de Nova York e está avaliada em quase US$ 7,3 bilhões.
No Brasil, a decisão é uma boa notícia para a Patense, que ficará com uma pequena parcela do montante para reforçar o capital de giro. Os credores parceiros do processo de recuperação judicial também se beneficiam, recebendo o grosso dos recursos.
Entre esses credores, estão os detentores de um CRA de R$ 315 milhões que a Patense levantou em 2023. O título foi securitizado pela Ecoagro e distribuído a investidores que incluem gestoras como Capitânia e WHG.
“É legal ver uma recuperação judicial que não se transforma em um banho de sangue”, comemorou uma fonte que acompanha o caso. Quando pediu recuperação judicial, em 2024, a Patense declarou R$ 1,3 bilhão em dívidas.