
Os credores do CRA da Aliança Agrícola podem, enfim, respirar aliviados. O pagamento de R$ 114 milhões — o acúmulo do saldo devedor de juros, multa, amortização e outros encargos — foi realizado nesta terça-feira (27).
A Ecoagro, securitizadora dos títulos, sinalizou na sexta-feira (23) que faria o pagamento nesta data. No mesmo dia, entretanto, tornou-se pública uma medida cautelar colocada pela Aliança Agrícola com o objetivo de congelar o pagamento de dívidas por 60 dias.
A forma como a operação foi estruturada foi um diferencial na hora de pagar os credores.
A falta de pagamento de juros por parte da Aliança Agrícola — no dia 13 deste mês — era um evento de vencimento antecipado automático dos títulos. Antes disso, entretanto, a empresa tinha dois dias para quitar seus débitos (o que não aconteceu).
A partir daí, começou o processo de execução da dívida. Pela forma como a transação foi estruturada, a Aliança Agrícola tinha de deixar dinheiro em caixa como garantia, caso não houvesse grãos suficientes para cobri-la.
Nesse período em que os armazéns costumam ficar vazios, havia pouco mais de R$ 114 milhões depositados em uma conta Escrow em um banco. (Conta escrow é basicamente um serviço de custódia em que um terceiro, como um banco, guarda fundos ligados a uma transação, liberando os recursos a partir de determinadas condições).
Com a execução da dívida decretada, a securitizadora pediu para que os recursos fossem transferidos para a conta do patrimônio segregado da transação (uma conta ligada a essa emissão, porém de posse integral da securitizadora).
Daí em diante, foi só o intervalo de esperar a transação cair na conta dos credores. Entre eles, estão os fundos BBGO11 (Banco do Brasil), GCRA11 (Galápagos), RURA11 (Itaú Asset), CPTR11 (Capitânia) e OIAG11 (Ourinvest).