
Maior cooperativa agroindustrial da América Latina, a Coamo acaba de adquirir quatro armazéns no norte do Paraná, em uma tacada de R$ 136 milhões que fortalece a capacidade de originação de grãos e prestação de serviços aos cooperados da região.
Os armazéns pertenciam ao PLAG11, um fundo imobiliário gerido pelo Pátria e, até então, eram operados pela Belagrícola por meio de um contrato de arrendamento.
Ao que tudo indica, a Coamo deve assumir os ativos imediatamente, apesar de originalmente o contrato de aluguel firmado com a Belagrícola ainda prever quatro anos de duração.
Em um comunicado interno, a Coamo informou que já iniciou a fase de transições e adequações dos armazéns. A ideia é tê-los em funcionamento para receber a safra 2025/26 de soja e milho dos produtores da região.
“Esta iniciativa da Coamo faz parte da sua estratégia de crescimento sustentável, fortalecimento operacional e atendimento aos produtores da região Norte do Paraná”, afirmou a cooperativa, em nota.
No norte paranaense, a transação é simbólica. Um dos armazéns envolvidos no M&A fica em Bela Vista do Paraíso, a pequena cidade onde João Colofatti fundou a Belagrícola, há quarenta anos, dando início a uma das maiores companhias de distribuição de insumos agrícolas do Paraná.
Além da unidade de Bela Vista do Paraíso, a Coamo comprou os armazéns localizados nos municípios de Assaí, Cambé e Sabáudia.
Ao deixar de operar os quatro armazéns, a Belagrícola pode aliviar um problema de curto prazo, reduzindo as despesas com aluguéis em um momento de forte aperto financeiro. Em recuperação extrajudicial, a companhia está renegociando as dívidas com os credores.
No longo prazo, no entanto, a perda dos quatro armazéns sinaliza o encolhimento da Belagrícola, que perde capacidade de originação. Ainda que isso não faça falta neste momento em razão das dificuldades financeiras, a rede de originação era um atrativo da companhia, que chegou a atrair o interesse da Bunge.
Para o fundo imobiliário do Pátria, a venda trouxe um retorno interessante, especialmente quando se considera os riscos financeiros de um arrendatário em recuperação extrajudicial.
Em um fato relevante, o fundo calculou a TIR (Taxa Interna de Retorno) em 15,7% ao ano, o equivalente a R$ 8,42. Atualmente, o PLAG11 negocia a R$ 58,02%.
Do valor de venda, R$ 31,2 milhões serão pagos à vista, e o restante em quatro parcelas semestrais no valor de R$ 26,2 milhões cada, corrigidas pelo CDI. A primeira parcela semestral será paga em setembro deste ano.
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O PLAG11 é herdeiro de um fundo que teve vários problemas no passado, antes de ser gerido pelo Pátria. Criado pela Quasar, o FII demorou muito para alocar os recursos, frustrando os investidores. A situação só se resolveu em 2024, após um movimento liderado pela Capitânia aprovar a destituição da Quasar como gestora. Foi nesse momento que a VBI, controlada pelo Pátria, assumiu o PLAG11.