
Depois de tomar um chá de sumiço, a Aliança Agrícola reapareceu. A empresa, que pertence ao grupo russo Sodrugestvo admitiu, em um post no LinkedIN, que passa por um momento difícil, derivado de problemas financeiros.
A operação de esmagamento apresentava um bom desempenho, descreve a companhia — sem apresentar detalhes — mas as perdas em operações de trading elevaram o endividamento e provocaram um efeito cascata.
“Exigências adicionais de garantias por instituições financeiras, juntamente com retenção de recebíveis e caixa, limitaram a capacidade de financiar o ciclo operacional, especialmente entre safras”, escreveu a companhia, na rede social.
Tradings, em geral, são pegas no contrapé quando montam posições alavancadas (com derivativos de balcão ou mercado futuro) sem uma política de risco bem definida. Um caso desse tipo ocorreu com a Montesanto Tavares.
Por causa dessas restrições, a empresa afirma ter feito uma “parada temporária” das plantas industriais e ressalta que mantém uma equipe trabalhando na recomposição da posição financeira e revisão do modelo de negócios.
“Concluídas as negociações de capital e parcerias, a companhia pretende endereçar suas obrigações de forma responsável e estruturada”, afirma o comunicado.
O texto não está assinado por nenhum executivo — portanto, ainda não está claro, pelo menos por enquanto, quem está à frente desse processo. O único contato disponível no texto é um e-mail direcionado ao back-office da empresa.
Na semana passada, interlocutores do então CEO da Aliança Agrícola, Danilo Dália Jorge, disseram que o executivo teria renunciado em meio a desentendimentos com os russos.
Com os problemas financeiros na trading confirmados, é provável que uma recuperação judicial seja iminente.