JiveMauá coloca os pés no agro (para valer) com R$ 300 milhões

A JiveMauá está dando os primeiros passos — para valer — no agronegócio. Depois de participar de uma solução engenhosa para resolver créditos da Agrogalaxy, a gestora fundada por Alexandre Cruz e Guilherme Ferreira resolveu montar uma vertical totalmente dedicada ao campo.

Para isso, a gestora trouxe para dentro de casa Paulo Fleury, um gestor egresso de casas como eB Capital, FG/A e Valora. A nova área de negócios já começa com R$ 300 milhões a serem alocados.

Inicialmente, o dinheiro dirá do caixa de outros fundos de crédito privado da casa — cujos mandatos comportam o investimento em agro. Atualmente, a JiveMauá possui mais de R$ 21 bilhões em ativos sob gestão.

Com o tempo, o plano é ir além, captando um fundo exclusivo para o agro até o fim do ano.

“Vamos fazer o processo contrário. Em vez de ir ao mercado com oferta pedindo o dinheiro do investidor, vamos alocar esse dinheiro, fazer boas operações, montar carteira e depois captar dinheiro”, disse Fleury ao The AgriBiz.

A ideia é alocar os R$ 300 milhões ao longo do primeiro semestre de 2026. Para esse ‘piloto’, estão em foco principalmente operações com produtores rurais e FIDCs para empresas de diferentes segmentos.

Já existem conversas em andamento para ambos, com previsão para que os primeiros desembolsos (tanto na operação de produtor quanto no FIDC) aconteçam dentro do primeiro trimestre.

“Ainda é um ano desafiador. Você não vai ver muita gente abrindo terra sem fazer contas, a conversa está mais racional, de olho em dinheiro para alongar dívida de curto prazo. O tomador também está mais animado com a expectativa de queda de juros para este ano”, ressaltou Fleury.

Na mira do gestor, estão operações com prazo médio de cinco anos, a uma taxa de CDI+5% ao ano. O tíquete deve girar em torno de um intervalo de R$ 30 milhões a R$ 50 milhões — em operações que podem ser feitas só pela JiveMauá ou em parceria com outras casas, os chamados club deals.

Nessa fase, não estão previstas estruturas ligadas ao ganho de capital por meio de terras, mas isso não significa que essas estruturas sejam desprezadas pela casa.

“A priori, não vamos desenvolver aqui essa tese de compra para remuneração de terra. O que podemos ter é sale e leaseback visando à proteção num caso de stress no crédito”, argumentou.

Nessa análise, conta a favor o fato de a JiveMauá ser uma gestora que nasceu com o DNA de analisar casos problemáticos (as special situations, no jargão de mercado).

“É um diferencial gigantesco. Talvez seja a gestora com mais advogados dentro dela. Especialmente nesse momento em que todo mundo quer investir no agro, estar em uma casa que já resolveu inúmeros problemas é muito bom para o investidor”, disse Fleury.