Roberto Perosa, presidente da Abiec, aguarda abertura do Japão
Roberto Perosa, presidente da Abiec, disse que está em pauta a emissão de licenças de exportação pelo governo brasileiro

As exportações de carne bovina à China podem ficar desordenadas caso o governo brasileiro não fomente uma regulação direcionada ao assunto, na visão de Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne).

“Nós apostamos numa regulação do governo e numa parceria com as empresas. Um conjunto de medidas regulatórias que o governo brasileiro pode trazer para mitigar os impactos das salvaguardas. Ninguém melhor do que o governo para fazer essa regulação”, afirmou Perosa, em coletiva de imprensa nesta manhã.

No caminho para fomentar esse texto, a associação já fez pelo menos quatro reuniões com diferentes ministérios, com a quinta reunião (dessa vez, com o Mdic) sendo agendada para esta semana.

Temas como linhas de crédito para empresas e pecuaristas, nos moldes do que foi feito para mitigar o tarifaço dos Estados Unidos, segundo Perosa, seguirão em discussão. Também será colocada na pauta uma eventual licença de exportação do governo brasileiro, além de negociações do Itamaraty com a China.

Ainda não está claro, por exemplo, se o volume de cargas em trânsito, estimado pela associação em 250 mil toneladas, vai compor a cota deste ano. Também tem de ficar claro como será feita a contabilização dos volumes enviados.

“A China, a princípio, tinha falado de quantificação trimestral, nos documentos. Porém, em uma conversa oficial, o que o país deixou claro é que o que conta será o volume anual”, explicou Perosa.

Os frigoríficos, nesse sentido, estão em compasso de espera, aguardando uma decisão do governo federal que regule os volumes a serem enviados. Ainda não há uma definição de cotas por empresas, por exemplo.

“Para todo tipo de negócio, a melhor coisa é estabilidade, não é corrida. Um volume mensal ou bimestral, por exemplo, mas alguma coisa que não deixasse essa cota solta”, frisou Perosa.

O Brasil não seria o primeiro mercado a adotar uma postura desse tipo. A Austrália, por exemplo, já implantou um sistema de cotas por empresas para exportar carne para a China.

“Tudo está na mesa. Numa conta aritmética, no Brasil, daria 92 mil toneladas por mês. Mas isso vai ser computado a cada 30 dias? Bimestral?”, questionou Perosa.

Projeções para 2026

Mesmo com as salvaguardas chinesas colocadas para este ano, o presidente da Abiec estima que o setor consiga manter o volume de exportações de 2025, na casa de 3,5 milhões de toneladas.

“Nós tivemos um início importante em alguns mercados, que agora estão se consolidando, passando das 90 mil toneladas, como o México, Egito, Hong Kong, Filipinas e Arábia Saudita”, destacou Perosa.

No limite, caso novos mercados não sejam abertos (ou o Brasil não consiga ampliar os volumes para mercados já consolidados), o País pode chegar a exportar 3,5 milhões de toneladas, nos cálculos da associação.

O faturamento, nas estimativas de Perosa, também deve ser mantido na casa dos R$ 18 bilhões — o mesmo montante de 2025.

Nessa conta, o presidente da associação inclui, por exemplo, o aumento do preço no próprio mercado chinês, que passou de US$ 5,5 mil para US$ 6,5 mil no último mês. Além disso, mercados como o Egito, que tradicionalmente praticavam preços muito abaixo dos da China, também chegaram neste mês a US$ 5 mil no corte dianteiro.

“Acho que o grande feito disso é saber que o Brasil tem carne, mas o mundo não tem. E se o Brasil tem, pode ser que as pessoas se socorram cada vez mais aqui para terem seus volumes entregues”, frisou Perosa.

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Nos próximos dias, segundo o presidente da associação, a Indonésia deve habilitar 18 frigoríficos brasileiros para exportação. “Estão antevendo a situação de déficit global”, destacou Perosa.