Tadeu Ruzza, gestor da Itaú Asset

Com o vencimento da primeira leva de CRAs encarteirado na criação do RURA11, o Fiagro listado da Itaú Asset acumulou uma montanha de caixa, abrindo uma rara janela de alocação para o fundo.

“Ter um bom nível de caixa é uma baita oportunidade. Eu escolho o que vou fazer, em um momento em que todo mundo está precisando de liquidez”, disse Tadeu Barreto, gestor de agronegócio da Itaú Asset, ao The AgriBiz.

Em dezembro, o RURA11 possuía R$ 371 milhões em caixa, o equivalente a 22,5% do patrimônio líquido de R$ 1,6 bilhão. Entre os Fiagros listados na bolsa, é o maior caixa acumulado entre os pares.

Para ter uma referência, o maior Fiagro do mercado — o KNCA11, gerido pela Kinea — tinha R$ 148 milhões em caixa em dezembro, 6,8%. No VGIA11, tocado pela Valora, o caixa somava R$ 11 milhões, 6,8% do patrimônio do veículo, que é o terceiro maior Fiagro listado.

Embora não seja necessariamente bem-visto pelos investidores por reduzir o rendimento mensal da carteira, o acúmulo de caixa do RURA11 indica que os devedores do portfólio pagaram as dívidas e, com isso, abriram a possibilidade de alocação mais defensiva neste momento adverso para o crédito agrícola.

O caixa do RURA11 é também um reflexo da forma como o fundo foi construído, com operações mais curtas, que trazem uma mobilidade maior para o veículo atuar nos períodos de crise.

Além das operações que já performaram, o atual caixa do RURA11 foi formado por eventos de pré-pagamento não recorrentes. O grupo sucroalcooleiro Uisa, foi um deles. Um dos CRAs da companhia, que pagava CDI + 5,25% ao ano, foi pré-pago no fim do ano passado.

O retorno-alvo do RURA11

Com o dinheiro em mãos, o RURA1 quer manter a alocação em operações consideradas curtas, de dois a três anos de vencimento. Uma mudança importante será feita no perfil de crédito, que ficará menos arriscado que a primeira leva do fundo.

“Chegamos à conclusão de que a base de investidores não está preparada para um mundo CDI+3%, CDI+4%, CDI+5%, porque essa é uma carteira que vai ter problema em algum momento. Mas também vão vamos trazer esse carrego para CDI+1%. Vai ser algo em torno de CDI+2,5% a CDI+3,5”, revelou Barreto.

Parte desse trabalho de redução de risco já vinha sendo feita ao longo dos últimos anos. Em 2023, a carteira do RURA11 remunerava a uma média de CDI+4,5% ao ano, um percentual que já caiu para CDI+3,70%.

Neste ano, o Fiagro da Itaú Asset quer fazer mais investimentos em crédito estruturados com securitização de recebíveis — o bom e velho FIDC, pulverizando o risco de crédito. Para estruturar essas operações, a gestora vai se valer do bom relacionamento com fabricantes de insumos e distribuidores.

Estruturas que envolvam terras também agradam, desde que com desenhos que prevejam uma renda fixa, disse Barreto. Um exemplo disso foi feito pelo RURA11 em parceria com a Capsicum, no ano passado. Na ocasião, o fundo comprou uma fazenda em Nova Ubiratã (MT), ficando com a cota sênior do veículo (que remunera a CDI+3%).

Em contraposição às oportunidades em terras e crédito pulverizado, o RURA11 será mais conservador com o crédito corporativo, destinado a produtores rurais ou companhias.

“Está muito difícil olhar produtor rural e empresa, dar ok para o crédito, fazer o pix e pedir uma garantia. Talvez a gente diminua novas alocações nesse crédito corporativo puro e simples”, disse o gestor.

No crédito corporativo, a Itaú Asset pode alocar em outros fundos da casa, mais afeitos a esse perfil de risco. “Tem mandatos na mesa mais aptos para assumir essa volatilidade”.

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Em doze meses, as cotas do RURA11 tiveram uma boa recuperação, acumulando uma valorização de 18,29%, segundo dados do Clube FII. Atualmente, as cotas negociam a R$ 8,73, a 85% do valor patrimonial.