Robô Solix, da Solinftec

A maior agtech brasileira acaba de levantar R$ 189 milhões para financiar os investimentos em tecnologia, com foco em inteligência artificial. Em uma operação coordenada pelo Itaú BBA, a Solinftec levantou o montante com a emissão de um CRA com vencimento em cinco anos.

A maior parte dos recursos (R$ 150 milhões) é dinheiro novo no caixa, para financiar os investimentos. O restante foi levantado por meio da troca de papéis com investidores que já detinham outras emissões da startup, o que ajudou a alongar o perfil da dívidas.

“Na última rodada, série D, boa parte do investimento foi para robótica. Agora, estamos colocando mais caixa para investir em IA”, disse Denis Arroyo, vice-presidente global da Solinftec, ao The AgriBiz.

Um dos investimentos nessa frente é o desenvolvimento de um agente de IA, capaz de dar o próximo passo em relação à montanha de dados que a startup consegue ter acesso. Por dia, são 13 milhões de informações recebidas de mais de 60 mil máquinas conectadas no mundo.

“Queremos entregar para o cliente uma análise histórica que ele não teria como fazer compilando dados de todos os lados. Entregar uma informação do tipo ‘essa é o quarto ano com problemas de produtividade por causa disso e disso’, sem o cliente precisar nos perguntar”, afirmou Arroyo.

É uma continuidade do trabalho que a empresa vem desenvolvendo há quase duas décadas. No início das operações, há 2018, a Solinftec ligava para os clientes para avisar sobre mudanças no comportamento das máquinas. Agora, propósito é o mesmo, mas usando mais tecnologia.

Hoje, a empresa já usa IA, mas em aplicações segmentadas, como orientar um robô a respeito do que é soja e do que é planta daninha. O próximo passo seria a recomendação de quais máquinas usar e quais deixar paradas numa usina que esteja reduzindo a moagem de cana, por exemplo.

É uma tarefa que depende do esforço de pessoas e de infraestrutura. A Solinftec não começou ontem a pensar nisso: hoje, dos 800 colaboradores da empresa, metade trabalha com pesquisa e desenvolvimento.

Esse time já desenvolveu cerca de cinco projetos de agentes de IA. Destes, pelo menos três já em um estágio maduro para começar testes de campo.

“São projetos ainda em desenvolvimento, mas em uma safra, uma safra e meia, já teremos as validações necessárias”, completa Arroyo. Alguns clientes serão convidados para testar o desenvolvimento desse novo produto, segundo o executivo.

A ambição é começar a apresentar os protótipos até o terceiro trimestre deste ano, começando os testes em campo já no meio do ano.

Os CRAs da Solinftec

Essa é a quinta emissão de CRAs realizada pela Solinftec desde 2019, e a maior até aqui. A primeira foi de R$ 80 milhões, em 2019 (já quitada), a segunda, de R$ 137,2 milhões (também quitada). A terceira veio em 2023, de R$ 100 milhões, a quarta, em 2023, foi de R$ 150 milhões.

Na penúltima emissão, os papéis saíram a juros de CDI+5,5% e, nesta, os papéis saíram a CDI+2,6%, mostrando uma redução relevante do custo de financiamento. A estrutura segue a mesma: prazo de cinco anos, com dois anos de carência do principal.

A Solinftec não abre todas as informações sobre o endividamento, mas afirma que já captou mais de R$ 1 bilhão com investidores (considerando os CRAs e última rodada de equity, que contou com recursos da YvY Capital).

Entre janeiro e novembro do ano passado, a Solinftec faturou R$ 350 milhões, um crescimento de 15%. Os dados completos de 2025 ainda não foram fechados.